sexta-feira, 20 de julho de 2007

História de amor impossível

Não há amor mais puro
Que o amor destas estátuas.
Olham-se apaixonadamente
E, desde que as conheço,
Elas se amam.
Passaram longos invernos juntas
E sentiram o mesmo frio.
Ao redor, viram árvores
Perdendo folhas e ficaram tristes.
Sentiram um grande pesar
Quando aquela fonte,
Bem no centro do jardim,
Parou de jorrar.
Foram aquecidas pelo mesmo
Bafo quente e, por várias vezes,
Tomaram um mesmo banho,
Quando a chuva do verão chegou.
Ao mesmo tempo, derramaram lágrimas
Enquanto o orvalho da manhã surgia.
Brincaram de se esconder e
Para tal, convidaram a neblina.
Hoje, já se notam os sinais da velhice
E ainda assim, nunca cansaram uma da outra.
Nunca dormiram! Sempre sorriem.
Passaram incontáveis noites,
Iluminadas pela lua cheia,
Com vontade de dançar.
Ah, pobres estátuas!
Uma, de um lado; a outra, do outro.
Um vasto jardim no meio
Mas ainda assim, olham-se apaixonadamente.

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